Contrapulso é uma revista semestral de acesso aberto, publicada pela Universidad Alberto Hurtado, do Chile, com avaliação cega por pares externos, dedicada ao estudo multidisciplinar das músicas populares na América Latina e no Caribe. A revista utiliza o Open Journal Systems (OJS) e está indexada no Latindex, RILM Abstracts of Music Literature e Hispanic American Periodicals Index (HAPI). A cada texto publicado é atribuído um DOI (Digital Object Identifier).               Para o número 8/2, de janeiro de 2027, além de receber artigos de temática livre, testemunhos, propostas de dossiê e resenhas de publicações recentes relacionadas ao escopo temático da revista, receberemos artigos inéditos para o dossiê Música Pop na América Latina: Tensões Artísticas no Âmbito do Capitalismo               Os estudos sobre a música pop constituem um campo profícuo para refletir sobre as relações entre as indústrias cultural e do entretenimento, as dimensões performativas dos concertos e digressões e a circulação da música nas redes, plataformas e ambientes digitais, bem como sobre a interação entre a música, a cultura de fãs, o território e o turismo, entre outros aspetos. Discutir a música pop implica reconhecer as fronteiras difusas da autoria — impulsionadas pelo papel central dos produtores musicais e pelas tensões entre a criação artística e as exigências do mercado —, bem como as construções performativas e autoficcionais presentes nas narrativas de produtos musicais digitais, como os videoclipes e os vídeos do TikTok. Além disso, passa por abordar as diversas temporalidades da "cultura de ícones" — incluindo a febre da disco music, o glam rock, a produção em estúdio e a pop de autor, a explosão latina dos anos 1990 e a era do streaming e dos algoritmos, entre outras —, tudo isto mediado pela revolução tecnológica e pela importância do visual. Propomo-nos encarar o estudo da música pop como

un diálogo entre artistas musicales y culturas fan, abordando los diferentes aspectos que caracterizan este vínculo (actores sociales, sus prácticas y espacios comunes), así como las relaciones entre la performance y la creación musical, en las relaciones entre lo público y lo privado, el escenario y la vida, que pueden manifestarse en forma de álbumes fonográficos, vídeos musicales, series de televisión o espectáculos musicales. (Soares, 2024: 2)

               As teorias sobre a música pop remontam aos estudos de Antoine Hennion (1983), que propõe uma “antimusicologia” da canção pop. Essa perspectiva alinha-se a debates sobre gosto e valores no âmbito da sociologia da música pop — conforme discutido por Simon Frith (1996) —, conduzindo a formulações que concebem o pop como um “guarda-chuva” para discussões sobre questões de gênero, sexualidade, raça e território, sob a ótica de Eric Weisbard (2004).               Este dossiê propõe uma exploração da música pop tanto como gênero musical quanto como categoria comercial, valendo-se de pesquisas, análises, debates teórico-metodológicos e uma perspectiva histórica que abrange o pop alternativo, a música urbana e seus desdobramentos. Busca também examinar — sob uma ótica transhistórica — ícones latino-americanos que, antes mesmo da existência do conceito de “música pop”, impulsionaram transformações estéticas no cinema, no cabaré e nos circuitos de espetáculos. Ao mesmo tempo, a circulação global desses agentes musicais possibilita examinar o papel da canção pop na configuração do soft power estatal em um cenário geopolítico cada vez mais polarizado. Das políticas de exportação do K-pop sul-coreano e das raízes territoriais porto-riquenhas na poética de Bad Bunny até a abordagem de “Brasil para exportação” na obra de Anitta, a música pop constitui um ponto de observação privilegiado para questionar as tensões artísticas no âmbito do capitalismo.               Estes estudos discutem o julgamento estético de canções pop e questões relativas a valorização cultural de gêneros como reggaeton, trap, funk brasileiro e cumbia, analisando sua incorporação progressiva a esse repertório. Em um contexto marcado pela plataformização da música, pela consolidação das indústrias criativas, pelas dinâmicas algorítmicas e pela crescente centralidade de performances mediadas pela mídia, artistas, fãs e mercados negociam continuamente os significados de autenticidade, pertencimento, visibilidade e valor.               Este dossier visa reunir pesquisas que examinem as múltiplas tensões que moldam a música pop na América Latina e o Caribe em contextos capitalistas contemporâneos. O objetivo é compreender como as práticas musicais, as performances e os processos de circulação mediática articulam conflitos entre arte e mercado, estética e rentabilidade, resistência e cooptação, identidade regional e globalização, produção independente e monopólios das editoras discográficas, e engajamento político e consumo cultural. ·         Música pop latino-americana, transculturalidade e dinâmicas de mercado;·         Estudos sobre a indústria musical, streaming e disputas algorítmicas;·         O estatuto de celebridade dos artistas pop na cultura digital;·         Geopolítica da música pop, soft power e debates sobre autenticidade;·         Estudos sobre género, sexualidade e interseccionalidade na música pop;·         Economia moral e experiência estética na música pop latino-americana;·         Cultura de fãs, consumo, ativismo e práticas especulativas em rede;·         Poéticas da autoficção em canções pop;·         O espetáculo pop: análise de concertos e digressões dentro e fora da América Latina;·         Intersecções audiovisuais da música: videoclips, TikTok e formatos relacionados;·         Afeto, trabalho e saúde mental de celebridades e fãs;·         Historiografia musical da pop na América Latina;·         Música urbana e pop latino: reconfigurações do mapa cultural da América Latina.

 

               Este dossier é organizado por Thiago Soares (Universidade Federal de Pernambuco –UFPE, Brasil), Ariel Gómez Ponce (Universidad Nacional de Córdoba – UNC, Argentina) e Liliana González Moreno (Universidad de La Habana –UH, Cuba). Os artigos devem ter entre 5.000 e 8.000 palavras, e as recensões, entre 1.500 e 2.500 palavras, em conformidade com as diretrizes para autores da revista.               As submissões em espanhol, português ou inglês são aceites até 2 de novembro de 2026, através do site da Contrapulso. E-mail de contacto: contrapulso@uahurtado.cl 

Bibliografia sugerida

 

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Attali, Jacquez. 1995. Ruidos: ensayo sobre la economía política de la música. México: Siglo XXI Editores.

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Quintero Rivera, Ángel. 2009. Cuerpo y cultura. Las músicas “mulatas” y la subversión del baile. Madrid: Iberoamericana, Frankfurt: Vervuert, México D.F.: Bonilla Artigas.

Savage, Jon. 2026. El público secreto. Cómo los artistas LGTB modelaron la cultura popular (1955-1979). Bilbao: LastTour Liburuak, S.L.

Soares, Thiago. 2015. “Percursos para estudos sobre música pop” en Cultura pop. Simone Perira de Sá, Rodrigo Carreiro e Rogério Ferraraz (orgs.), Salvador: EDUFBA, v. 296: 19-33.

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Viñuela, Eduardo et al. 2018. Bitch she’s Madonna. La reina del pop en la cultura contemporánea. España: Dos Bigotes.

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